Criancinhas

criancinha“O povo também estava trazendo criancinhas para que Jesus tocasse nelas. Ao verem isto, os discípulos repreendiam os que as tinham trazido. Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: ‘Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele’”. [Lucas 18.15-17]

Em Lucas 18.15-17, Jesus nos fala a cerca da necessidade de sermos como criancinhas para podermos entrar no Reino de Deus. Ele diz que o Reino de Deus pertence àqueles que são semelhantes às criancinhas. Pois bem, penso que, com relação a isso, Jesus quer enfatizar algumas características que as criancinhas possuem e que quando nos tornamos adultos acabamos perdendo, dentre elas podemos pensar na inocência, na confiança absoluta nos pais e na curiosidade diante da vida. Muito já foi dito a respeito da inocência e, principalmente, sobre a confiança que uma criança tem em relação a seus pais, coisa que os pregadores normalmente enfatizam é que deveríamos ter essa mesma confiança em relação a Deus Pai para podermos entrar no Reino de Deus.

Sem menosprezar tais coisas e, inclusive, concordando com elas, gostaria de enfatizar a terceira das características que citei, ou seja, a curiosidade diante da vida. Penso que a vida abundante [Jo 10.10] que Jesus nos prometeu começa aqui e agora e não apenas em uma eternidade futura. O Reino de Deus já começou [Lc 17.21] para aqueles que, como as criancinhas, estão abertos e curiosos diante daquilo que a Vida [Jo 14.6] tem a nos oferecer.

Encarar a Vida com curiosidade significa viver o momento presente que Deus nos dá a cada instante. Significa valorizar cada situação, seja ela boa ou ruim, do jeito que Deus permitiu que chegasse até nós [Rm 8.28]. É ver, por exemplo, que tanto o sucesso quanto o fracasso nos transformam, nos lapidam para que cheguemos a estatura de Cristo. Se encararmos o sucesso, em qualquer área de nossas vidas, com franqueza e curiosidade, veremos o quanto ele é tóxico. Veremos que tem a capacidade de nos afastar do próximo (ao fazer com que pensemos ser melhores do que os outros) e de Deus (provocando uma independência em relação à Ele). Perceberemos, também, que a mesma coisa ocorre com relação ao fracasso, principalmente em um mundo que supervaloriza o sucesso. O fracasso é igualmente tóxico. Ele nos faz sentir culpados, ressentidos e magoados com a vida, com os outros e com Deus.

Quando encaramos a Vida com a curiosidade das criancinhas, nosso julgamento diminui. Percebemos que os erros que os outros cometem são, essencialmente, os mesmos erros que comentemos. Isso nos faz perceber que, de fato, a mesma medida com a qual julgamos os outros será utilizada para nos julgar [Lc 6.38].

A verdadeira Vida e o seu Reino só se revela a nós quando estamos vivendo a partir de um interesse genuíno pelas coisas ao nosso redor, como, por exemplo, quando uma criança por volta de um ano em suas aventuras ao conhecer o novo mundo que se revela a ela. Tudo é novidade e nada é encarado como sendo bom ou mal, ou seja, vivem aquém do pecado original, apesar de ele estar lá. Uma sacola plástica de supermercado é uma grande descoberta, da mesma forma que uma trombada em uma porta de vidro, apesar de essa última lhe provocar dor, a percepção diante da realidade é a mesma, isto é, tudo é uma novidade e precisa ser investigado e apreendido.

Penso que, Jesus ao nos pedir para sermos semelhantes a criancinhas, quer que não pensemos obsessivamente no passado [Fp 3.13-14] e muito menos no futuro [Mt 6.34], Ele quer que nos concentremos no aqui e agora e aprendamos que a Vida, do jeito que ela se apresenta, é o presente dEle para nós, para que, de tal forma, aprendamos que todas as coisas que nos acontecem é para o nosso desenvolvimento rumo ao propósito de Deus em nos transformar à semelhança de Jesus [Rm 8.28-29].

Por fim, vale lembrar que se a Vida é Jesus [Jo 14.6] e a vida eterna consiste em conhecer a Ele e seu Pai [Jo 17.3], portanto, a melhor postura que podemos ter de fato é a curiosidade diante de tudo o que chamamos de “nossa vida”, para vivermos bem naquilo que chamamos presente e também na esperança que temos no futuro [1Co 15.19-28].

 

Anúncios

Uma opinião sobre “Criancinhas

  1. Pingback: Criancinhas | Cosmopolitan Girl

O que você achou do artigo? Deixe sua opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s