O quanto é suficiente?

Muitos de nós já tivemos a ingrata sensação de descontentamento e insatisfação ao adquirir um bem ou serviço (até mesmo com aqueles que foram sonhados e planejados, como um carro, por exemplo). Essa sensação, embebida em uma vontade louca de desfazer o negócio e devolver o bem ou o serviço, tem uma explicação. Isso ocorre sempre que ultrapassamos o ápice da curva de satisfação. Esse ápice chama-se suficiência.

Segundo Joe Dominguez e Vicki Robin (mais uma vez eles! vale muito a leitura do livro), ao longo de nossa vida o dinheiro desempenha várias funções. No começo, quando ainda somos crianças, ele tem a função exclusiva de nos prover as necessidades básicas relacionadas à sobrevivência (alimentação, vestuário, saúde, abrigo e etc.). Com o passar do tempo, começamos a querer alguns confortos que o dinheiro pode nos proporcionar (brinquedos, guarda-roupas, micro-ondas, televisão, etc.). Depois disso, passamos o patamar das coisas que nos trazem conforto e nos enveredamos, sem perceber, na busca e aquisição de artigos de luxo, como, por exemplo, um automóvel que, segundo os autores, somente 8 % da população mundial tem acesso! E é exatamente nesse momento em que as coisas desandam, pois quanto mais artigos de luxo adquirimos, menos satisfação temos com eles.

A solução para esse dilema é o descobrimento do ponto de suficiência. A suficiência é encontrada exatamente no ápice desse gráfico que relaciona a satisfação com o dinheiro despendido com a aquisição de coisas. Nesse ponto temos o suficiente para a nossa sobrevivência, temos artigos suficientes para o nosso conforto e até alguns artigos de luxo, se assim nossa condição nos permitir.

A suficiência é o ponto em que “temos tudo de que precisamos; não há nada adicional que nos oprima, nos desvie do rumo certo ou nos atormente, nada que compramos a prazo, que nunca usamos e que estamos nos matando para pagar. A suficiência é uma posição destemida. Um lugar confiável. Uma posição sincera e autovigilante. É o ponto em que apreciamos e desfrutamos plenamente o que o dinheiro traz para a nossa vida sem nunca comprar alguma coisa que não seja necessária e desejada” [Joe Dominguez e Vicki Robin, Dinheiro e Vida, 2007]

Pois bem, descobrir esse ponto é o que nos garantirá uma relação saudável com o dinheiro. Isso não tem nada a ver com mesquinhez ou avareza, mas com viver com o suficiente, sem o excesso que nos intoxica e só nos faz mal. É o encontro do equilíbrio entre o ser e o ter. Por fim, citando Edward Skidelsky: “O dinheiro não pode ser um fim em si mesmo, deve ser uma ferramenta para conseguir o que se quer”.

E para você, o que é suficiente? Já pensou nisso?

Um abraço e fiquem na paz.

*Clique no gráfico para ampliá-lo.

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9 opiniões sobre “O quanto é suficiente?

  1. Pingback: Passo 1 – Parte A: Quanto dinheiro você já ganhou na vida? « Simples e Frugal

  2. Suficiente pra mim é ter conforto, é poder entrar no supermercado e comprar o que quer sem ver preço, é ter um bom plano de saúde, é casa própria, bons estudos, ir na farmácia e ter grana pra comprar o que for e as vezes sair da rotina, isso pra mim é o suficiente, totalmente diferente de
    ostentar. E pra vc Marcos, o que é suficiente?

    • Bebeth, vou usar um texto bíblico para expressar minha resposta quanto ao que é suficiente para mim, pois creio sinceramente nisso. Certa vez o autor do livro de Provérbios disse: “Duas coisas peço que me dês antes que eu morra: mantém longe de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário. Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: ‘Quem é o SENHOR?’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus.” [Provérbios 30.7-9]. Abraços!

      • Para ter uma vida tão simples e plena dessa forma a pesssoa tem que abrir mão de muito e viver em comunidades. Respeito o seu suficiente.

  3. Pingback: 30% e 70% – Depósito de Textos

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